Pesquisar
Pesquisar

Por que roncamos? A ciência por trás do ronco

O ronco é um problema que interfere consideravelmente na saúde e no bem-estar de muitos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira de Sono, 40% dos brasileiros são afetados por esta condição.

Além de prejudicar a qualidade do descanso, essa condição pode afetar a saúde do paciente. Ele pode ser, por exemplo, o principal sintoma da apneia do sono, um quadro que, quando não tratado, pode aumentar os riscos de hipertensão, infarto, entre outros problemas.

Quem pretende atuar como médico precisa conhecer mais sobre esse mecanismo, para propor intervenções que devolvam a qualidade de vida do paciente ou, ainda encaminhá-lo para outro especialista, quando necessário.

Mas, por que roncamos? Vamos mostrar a seguir a fisiologia por trás desse fenômeno e os cuidados que você deve tomar na hora de atender este tipo de quadro. Confira a seguir.

O que provoca o som do ronco na orofaringe?

O som do ronco surge pelo choque e vibração das paredes da garganta quando o ar passa por um canal estreitado sob alta pressão. E isso acontece durante o período de relaxamento.

Tour virtual de Medicina Pitágoras

Durante o sono profundo, os músculos do corpo e da região cervical relaxam naturalmente. Essa perda de sustentação faz o palato mole, a úvula e a base da língua colapsarem contra a parede posterior da faringe.

A física do fluxo aéreo explica essa vibração por meio do Efeito Bernoulli. A passagem do ar por um tubo estreito aumenta sua velocidade e reduz a pressão interna local. Esse fenômeno gera uma força de sucção que aproxima os tecidos moles frouxos, fazendo-os colidir a cada inspiração.

Alguns fatores anatômicos podem potencializar as chances de que esse fenômeno aconteça, por potencializarem o estreitamento da via aérea:

  • Desvio de septo nasal;
  • Hipertrofia dos cornetos nasais;
  • Amígdalas aumentadas;
  • Retrognatismo mandibular.

Nesses casos, o ar comprimido encontra uma resistência contínua, transformando a respiração silenciosa em um som estridente.

Qual a diferença entre ronco primário e Apneia Obstrutiva do Sono?

O ronco primário diz respeito apenas à vibração sonora dos tecidos sem a interrupção completa do fluxo de ar, e não causa, necessariamente, queda na saturação de oxigênio sanguíneo.

Já a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é uma doença crônica, caracterizada pela obstrução total ou parcial da via aérea por mais de dez segundos. Isso impede a chegada de oxigênio aos pulmões e força o cérebro a emitir microdespertares para reativar o tônus muscular.

Essas interrupções impactam diretamente a dinâmica respiratória da pessoa, sendo marcada por pausas de silêncio seguidas por roncos explosivos e engasgos noturnos. 

A pessoa pode não perceber que está tendo despertares, sendo imperceptíveis. Porém, no fim do dia, a pessoa se sente cansada constantemente, pois não consegue alcançar os estágios profundos e restauradores do descanso.

A apneia pode causar alguns impactos sobre a qualidade de vida e saúde da pessoa, tais como:

  • Sonolência diurna;
  • Déficit de atenção e sensação de fog mental;
  • Irritabilidade;
  • Dor de cabeça ao acordar;
  • Boca seca ao acordar.

Ao longo do tempo, se as repercussões da apneia do sono não forem afetadas, a saúde pode ficar gravemente comprometida a longo prazo. Por exemplo, a privação crônica de oxigênio ativa o sistema nervoso simpático, provocando picos de pressão arterial e estresse oxidativo nas paredes dos vasos.

Pacientes com apneia grave possuem risco três vezes maior de desenvolver problemas cardiovasculares, como hipertensão arterial resistente, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

O diagnóstico da apneia do sono deve ser feito por meio da polissonografia, exame que monitora o fluxo aéreo, esforço torácico, saturação de oxigênio e atividade cerebral durante o sono.

Quais fatores de risco aceleram o colapso das vias aéreas?

Um dos principais fatores de risco para o ronco é quando há acúmulo de tecido adiposo (gordura) na região do pescoço. A vantagem é ser uma causa reversível.

A gordura localizada ao redor das estruturas da faringe exerce uma pressão mecânica externa constante que reduz o diâmetro interno do canal respiratório. Esse peso extra sobre a garganta facilita o colapso dos tecidos moles assim que a musculatura relaxa durante a noite.

Outro fator que interfere e pode ser controlado é o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de medicamentos sedativos ou ansiolíticos antes de dormir, pois eles deprimem o sistema nervoso central. 

Essa depressão neuronal reduz o tônus muscular da língua e do palato, fazendo com que essas estruturas caiam pesadamente sobre a via aérea. O tabagismo também é um fator agravante ao provocar edema e inflamação crônica na mucosa respiratória.

Vale a pena, também, avaliar qual é a posição corporal do paciente quando ele adormece, pois isso influencia diretamente o grau de obstrução do fluxo de ar nos pulmões. 

Quando a pessoa dorme em decúbito dorsal (de barriga para cima), isso favorece a ação da gravidade, que puxa a base da língua e a mandíbula para trás. Mudar a postura para decúbito lateral reduz a compressão sobre a orofaringe e diminui a frequência das vibrações sonoras.

Como é feito o tratamento do ronco na prática médica?

O tratamento do ronco é personalizado e depende do diagnóstico diferencial obtido com os exames clínicos e exames de imagem. Mas, de modo geral, algumas das principais recomendações para evitar este problema são:

  • Perda de peso;
  • Prática de exercícios físicos;
  • Diminuir o consumo de álcool.

Quando o quadro é associado à postura, o uso de técnicas de reposicionamento corporal ajuda a manter as vias aéreas desobstruídas.

Casos leves a moderados

Se for um caso de ronco primário ou apneia leve a moderada, o uso de Dispositivos Intraorais (DIO) pode ser interessante. Ele apresenta excelente taxa de adesão e eficácia. 

Eles são aparelhos confeccionados sob medida, que projetam a mandíbula levemente para a frente durante a noite. Esse avanço traciona a base da língua e os tecidos moles da garganta, impedindo o estreitamento do canal respiratório.

Casos moderados a graves

Se o quadro for de Apneia Obstrutiva do Sono de grau moderado a grave, o padrão-ouro de tratamento é o uso do CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas). 

O equipamento envia um fluxo contínuo de ar filtrado através de uma máscara nasal ou facial acoplada ao paciente. Essa pressão pneumática contínua funciona como uma coluna invisível que mantém as paredes da faringe abertas durante toda a noite.

Casos cirúrgicos

Quando existem alterações anatômicas estruturais evidentes, pode ser necessário indicar procedimentos cirúrgicos específicos. Cirurgias como a septoplastia, a amigdalectomia ou a uvulopalatofaringoplastia desobstruem o fluxo aéreo ao remover excessos teciduais.

Quais são os especialistas que tratam o ronco?

O diagnóstico e o tratamento do ronco exigem uma abordagem multidisciplinar para identificar as causas exatas da obstrução na orofaringe. Diferentes especialidades médicas atuam juntas na avaliação do fluxo aéreo e da qualidade do sono do paciente. 

Vamos mostrar as principais a seguir.

Otorrinolaringologista

O otorrinolaringologista é o médico especialista no diagnóstico de bloqueios estruturais das vias aéreas superiores. Ele realiza exames como a nasofibrolaringoscopia para avaliar o septo nasal, as amígdalas, os cornetos e o palato mole. 

Esse profissional indica desde tratamentos clínicos até procedimentos cirúrgicos para desobstruir a passagem do ar.

Médico do Sono

O médico do sono possui especialização dedicada aos distúrbios respiratórios e comportamentais do descanso noturno. Ele é o responsável por solicitar e interpretar a polissonografia, exame essencial para diferenciar o ronco primário da Apneia Obstrutiva do Sono. 

Esse especialista prescreve e ajusta o tratamento com o CPAP para garantir a ventilação adequada.

Cirurgião Bucomaxilofacial e Ortodontista

O cirurgião bucomaxilofacial e o ortodontista atuam na correção de alterações ósseas e posicionamentos dentários que estreitam a garganta. Eles confeccionam e adaptam os Dispositivos Intraorais (DIO) para avanço mandibular durante a noite. 

Em casos graves de retrognatismo, o cirurgião bucomaxilofacial realiza a cirurgia ortognática para ampliar o espaço aéreo.

Pneumologista

O pneumologista avalia o impacto das obstruções respiratórias na função pulmonar e na troca gasosa do organismo. Ele investiga doenças associadas, como asma, bronquite e hipoventilação, que pioram a oxigenação durante o sono. 

Esse especialista atua na prescrição da pressão positiva contínua e no acompanhamento de pacientes com quadros respiratórios complexos.

O fonoaudiólogo especializado em motricidade orofacial atua no fortalecimento da musculatura da garganta, da língua e do palato mole. Por meio de exercícios específicos da terapia fonoaudiológica, ele melhora o tônus dos tecidos frouxos da orofaringe. 

Esse treinamento muscular reduz a flacidez tecidual, diminuindo a frequência e a intensidade das vibrações sonoras.

Neurologista

O neurologista investiga as causas centrais e neurofisiológicas que afetam o controle da respiração durante o sono. Ele avalia se o ronco e as pausas respiratórias decorrem de falhas na sinalização do cérebro para os músculos respiratórios. 

Sua atuação é fundamental quando o paciente apresenta sonolência excessiva de origem neurológica ou apneia central.

Como evitar o ronco na rotina: dicas práticas de higiene do sono

Adoção de medidas simples no cotidiano melhora a fluidez da respiração e reduz os roncos noturnos de forma eficaz. Acompanhe as principais recomendações médicas para manter as vias aéreas desobstruídas durante a noite:

  • Elevação da cabeceira: ajuste a inclinação da cama entre 10 e 15 centímetros para diminuir a pressão tecidual sobre a garganta. Isso pode ser feito com calços que são encaixados nos pés da cama.
  • Mudança de posição: durma de lado utilizando travesseiros adequados para alinhar a coluna cervical e evitar a queda da língua.
  • Lavagem nasal diária: higienize as narinas com solução salina antes de deitar para remover secreções e reduzir a resistência nasal.
  • Controle de peso: mantenha o índice de massa corporal dentro dos limites saudáveis para diminuir a gordura ao redor do pescoço.
  • Higiene alimentar: evite refeições pesadas, bebidas alcoólicas e calmantes nas três horas que antecedem o momento de dormir.

Torne-se um especialista em sono fazendo Medicina na Pitágoras

O curso de Medicina da Faculdade Pitágoras prepara você para dominar a investigação, o diagnóstico e a conduta clínica dos distúrbios do sono. Nós oferecemos uma infraestrutura acadêmica completa, com laboratórios de simulação realística de última geração desde o início da graduação. 

Você desenvolve competências práticas para avaliar o fluxo aéreo, monitorar parâmetros biológicos e conduzir tratamentos avançados em cenários hospitalares controlados.

Os estudantes aprendem a manejar tecnologias fundamentais da área, como a interpretação de exames de polissonografia e a prescrição do CPAP. 

Essa capacitação técnica aprofundada garante a segurança necessária para identificar pausas respiratórias, tratar a Apneia Obstrutiva do Sono e prevenir complicações cardiovasculares graves.

O corpo docente é formado por médicos especialistas, mestres e doutores atuantes nos principais centros de saúde e redes hospitalares do país. Invista na sua vocação e garanta uma formação diferenciada em uma faculdade referência no ensino de saúde. 

Acesse agora o portal oficial da Faculdade Pitágoras, inscreva-se no vestibular de Medicina e dê o primeiro passo para construir uma carreira médica de sucesso!

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação / 5. Número de votos:

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Lamentamos que este post não tenha sido útil para você!

Vamos melhorar este post!

Diga-nos, como podemos melhorar este post?

Quiz: qual área de Medicina combina comigo? (Vestibulares)