Engasgar é um problema comum, mas que pode ter consequências sérias. No Brasil, são cerca de 3000 mortes anuais causadas por este problema. A maioria dos incidentes são com crianças e idosos.
Saber identificar o problema e como proceder pode evitar este tipo de problema, seja nas rotinas de estabelecimentos de saúde, seja para educar pacientes sobre como agir caso algo deste tipo aconteça.
Entenda como o engasgo acontece, o que fazer neste cenário e tire todas as suas dúvidas sobre o tema.
- 1 Como o engasgo acontece?
- 2 Como funciona a anatomia e a fisiologia da deglutição?
- 3 O que é a epiglote e qual o seu papel no engasgo?
- 4 Por que a tosse reflexa é ativada quando engasgamos?
- 5 Quais são as diferenças entre engasgo simples e broncoaspiração?
- 6 Quais são as principais causas e fatores de risco para engasgos frequentes?
- 7 Como a Pitágoras prepara você para o futuro da Medicina?
Como o engasgo acontece?
O engasgo acontece quando o alimento ou líquido entra acidentalmente na via aérea em vez de seguir pelo sistema digestório. Esse evento dispara uma resposta reflexa de defesa do organismo para expelir o corpo estranho imediatamente.
Na anatomia humana, a faringe funciona como um cruzamento entre os sistemas respiratório e digestório, exigindo coordenação perfeita entre eles para evitar, por exemplo, que alimentos passem para o sistema respiratório.
Durante a deglutição, a laringe eleva-se e uma estrutura cartilaginosa chamada epiglote atua como uma válvula protetora. Ela dobra para trás para fechar a entrada da glote, impedindo que os alimentos alcancem a traqueia.
Quando falamos ou rimos enquanto comemos, essa vedação mecânica falha temporariamente e o bolo alimentar desvia da sua rota, indo em direção ao sistema digestório.
A entrada de qualquer substância estranha na árvore traqueobronquial irrita os receptores de estiramento e terminações nervosas locais.
O nervo vago envia sinais sensoriais rápidos ao centro respiratório localizado no tronco encefálico, desencadeando a tosse reflexa. A forte expulsão do ar limpa o canal e restaura a passagem de oxigênio de forma segura.
Para estudantes de Medicina, compreender a fisiologia da deglutição é essencial para diagnosticar patologias neuromusculares e disfagias clínicas. Por isso, os futuros profissionais precisam dominar essa estrutura anatômica.
Como funciona a anatomia e a fisiologia da deglutição?
A deglutição é um processo dividido nas fases oral, faríngea e esofágica. Entender sobre cada uma delas ajuda a entender ainda melhor sobre como o engasgo acontece.
Fase oral
Na fase oral, os dentes e saliva preparam o bolo alimentar antes da propulsão pela língua. A partir do momento em que o alimento atinge a orofaringe, o processo torna-se involuntário e controlado por reflexos.
Fase faríngea
Na fase faríngea, uma sequência de contrações musculares rápidas empurra o alimento em direção ao esôfago. O palato mole eleva-se para vedar a nasofaringe, impedindo o refluxo nasal de líquidos durante o ato. Simultaneamente, as pregas vocais fecham-se e a epiglote cobre a glote para blindar a via aérea inferior.
Fase esofágica
A transição para a fase esofágica ocorre com o relaxamento do esfíncter esofágico superior. A musculatura do esôfago realiza movimentos peristálticos organizados que conduzem a refeição até o estômago. Esse trajeto contínuo leva apenas alguns segundos, exigindo sincronia exata entre diferentes pares de nervos cranianos.
A harmonia entre os músculos constritores da faringe e os esfíncteres protege os pulmões de infecções graves. Um pequeno atraso na resposta motora é suficiente para provocar microaspirações de líquidos ou pedaços sólidos. Por isso, a coordenação neuromuscular do reflexo de deglutição garante a integridade da nossa função respiratória.
O que é a epiglote e qual o seu papel no engasgo?
A epiglote é uma lâmina de cartilagem fibroelástica localizada atrás da língua e na entrada da laringe. Ela apresenta formato semelhante ao de uma folha e fica coberta por uma mucosa altamente sensível a estímulos mecânicos.
Quando a pessoa está fazendo a respiração de repouso, ela permanece ereta para permitir a livre passagem do ar até a traqueia.
Já quando acontece o ato de engolir, a base da língua empurra a epiglote para baixo sobre a glote. Essa ação cria uma rampa temporária que direciona o bolo alimentar para os recessos piriformes e esôfago.
Esse movimento gera uma vedação física, que impede os fragmentos sólidos ou gotas de líquidos penetrarem nos brônquios.
Então, quando nos distraímos ao mastigar, o cérebro envia sinais motores que são conflitantes para a musculatura cervical.
Isso porque o ato de falar exige que a epiglote permaneça aberta para a passagem do fluxo aéreo fonatório. Se engolimos no mesmo instante, o alimento aproveita essa abertura momentânea e penetra na laringe.
Para o futuro médico, entender o movimento do osso hioide e da cartilagem tireóide auxilia no exame físico do pescoço. O deslocamento anterossuperior do complexo laringohióideo durante a deglutição é o marcador clínico desse fechamento protetor.
A ausência ou diminuição dessa elevação sinaliza maior vulnerabilidade e aumento das chances de engasgos frequentes em pacientes debilitados.
Por que a tosse reflexa é ativada quando engasgamos?
A tosse é uma resposta motora de emergência do organismo. Ela é coordenada pelo sistema nervoso central contra a aspiração.
Quando uma partícula toca o epitélio ciliado da laringe ou traqueia, mecanorreceptores enviam impulsos ao bulbo. O cérebro responde imediatamente com uma respiração profunda seguida do fechamento súbito da glote.
A musculatura abdominal e os músculos intercostais contraem-se fortemente para aumentar a pressão intratorácica. Em milissegundos, a glote abre-se bruscamente, liberando uma corrente de ar em alta velocidade pela via aérea.
Essa força física desloca o corpo estranho e o arremessa de volta para a cavidade oral. Isso é a tosse.
Esse reflexo de proteção ajuda a prevenir complicações severas como a pneumonia aspirativa. A entrada recorrente de secreções e alimentos nos pulmões pode causar processos inflamatórios agudos no tecido parenquimatoso
Estudar o arco reflexo da tosse permite que o médico avalie o estado funcional dos nervos vago e glossofaríngeo. Pacientes com AVC ou traumas cranianos frequentemente perdem esse mecanismo natural de defesa e sofrem com aspirações silenciosas.
O diagnóstico precoce dessa disfunção evita internações prolongadas e melhora o prognóstico do paciente, evitando problemas que podem prejudicar a saúde da pessoa.
Quais são as diferenças entre engasgo simples e broncoaspiração?
O engasgo simples é uma situação passageira e que se resolver rapidamente. Geralmente, a própria tosse soluciona.
O corpo estranho fica retido nas estruturas superiores e é expelido sem causar danos ao tecido pulmonar. A pessoa recupera a respiração normal em poucos minutos e o desconforto local desaparece gradualmente.
Já a broncoaspiração acontece quando o conteúdo gástrico, alimentos ou líquidos ultrapassam as pregas vocais e entram nos pulmões. Essa situação já tem um grau mais crítico, porque o material aspirado pode bloquear brônquios principais ou provocar reações químicas inflamatórias.
O grau de severidade da broncoaspiração depende do volume, do pH e da presença de bactérias na substância aspirada. Em ambientes hospitalares, a aspiração de secreções em pacientes acamados é uma das principais causas de mortalidade.
Separamos mais detalhes na tabela a seguir para você entender melhor essas diferenças.
| Característica | Engasgo simples | Broncoaspiração |
| Localização do material | Laringe / Via aérea superior | Brônquios / Alvéolos pulmonares |
| Mecanismo de resolução | Tosse reflexa imediata | Intervenção médica / Antibioticoterapia |
| Impacto no pulmão | Sem lesão parenquimatosa | Risco de pneumonia e dano tecidual |
| Gravidade clínica | Baixa e transitória | Alta, exige monitoramento contínuo |
Como evitar a broncoaspiração em pacientes acamados?
Para evitar a broncoaspiração em pacientes acamados, é preciso adequar a postura do paciente, ajustar o volume das refeições e ter cuidados rigorosos com a higiene oral da pessoa.
Segundo pesquisas científicas, a elevação da cabeceira do leito entre 30° e 45° reduz em até 50% o risco de aspiração de conteúdo gástrico para os pulmões. Adotar medidas preventivas como essa garante a segurança respiratória e impede infecções graves, como a pneumonia aspirativa.
Outro ponto de atenção é a posição da pessoa durante e após as refeições, para evitar a entrada acidental de alimentos na via aérea.
O indivíduo acamado deve permanecer sentado ou com a parte superior do corpo elevada por pelo menos 30 minutos após engolir a comida. Essa inclinação aproveita a força da gravidade para manter os líquidos e sólidos dentro do estômago, prevenindo o refluxo gastroesofágico.
Os cuidados com a higiene oral do paciente internado ajuda a eliminar bactérias que se acumulam na saliva e nos dentes. Escovar a boca dele após todas as refeições e realizar a aspiração de secreções acumuladas previne a entrada de microrganismos na traqueia.
Os médicos devem capacitar os cuidadores e a equipe de enfermagem para reconhecerem os sinais sutis de aspiração silenciosa. Estão entre os principais deles:
- Voz úmida após engolir;
- Tosse fraca;
- Pigarro frequente;
- Aumento da frequência respiratória.
Quais são as principais causas e fatores de risco para engasgos frequentes?
Engasgar esporadicamente ao comer rápido ou quando conversa durante as refeições é normal quando acontece em população saudável. Porém, se acontece com frequência, pode haver uma alteração neuromuscular que esteja interferindo nos processos de deglutição.
Doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, afetam a velocidade dos reflexos motores na orofaringe. Além disso, o envelhecimento natural do organismo (presbifalgia) também reduz a força dos músculos mastigatórios e faríngeos.
A diminuição na produção de saliva e a perda dos dentes também dificultam a formação de um bolo alimentar homogêneo. A combinação desses fatores fisiológicos eleva o risco de restos alimentares ficarem parados na cavidade oral.
Outros fatores de risco incluem o consumo excessivo de álcool e uso de medicamentos sedativos, pois eles deprimem a atividade do sistema nervoso central. Com a sensibilidade reduzida, a resposta da epiglote e o reflexo da tosse ficam lentos e ineficientes.
Como a Pitágoras prepara você para o futuro da Medicina?
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